A Doença de Alzheimer (DA) é um distúrbio neurodegenerativo progressivo e a principal causa de demência no mundo. Sua evolução clínica varia de uma fase pré-clínica até um estágio grave, impactando tanto a memória quanto outras funções cognitivas e comportamentais.

Fatores de Risco:

A DA está associada a uma combinação de fatores de risco, entre eles:

  • Idade avançada (principal fator de risco para a forma comum da DA, especialmente acima dos 65 anos).
  • Histórico familiar de demência, especialmente em casos de início precoce.
  • Condições de saúde como diabetes, obesidade, dislipidemia, hipertensão e doenças cerebrovasculares.
  • Fatores sociais e ambientais, como baixo nível socioeconômico ou educacional, inatividade física, privação de sono, lesões cerebrais traumáticas e exposição ao tabagismo passivo.
  • Etnia, com maior prevalência em descendentes de afro-americanos ou hispânicos, em comparação com indivíduos brancos.

Mecanismos da doença

A DA envolve alterações biológicas complexas no cérebro, destacando-se:

1. Placas senis (ou placas neuríticas):

  • Formadas fora dos neurônios.
  • Compostas por acúmulo de proteína β-amiloide (Aβ) resultante da clivagem anormal da proteína precursora amiloide (APP). Essas placas são neurotóxicas e interferem na comunicação neuronal.

Emaranhados neurofibrilares:

  • Formados dentro dos neurônios.
  • Compostos por proteína tau hiperfosforilada, que se acumula e forma fibras insolúveis. A quantidade desses emaranhados está associada diretamente ao grau de comprometimento cognitivo.

Deficiência colinérgica:

  • Redução nos níveis de acetilcolina, neurotransmissor fundamental para a memória e aprendizado.

Sintomas

Os sintomas da DA podem ser divididos em cognitivos e não cognitivos:

1. Cognitivos

  • Perda de memória de curto prazo: frequentemente o primeiro sintoma, com início insidioso e progressão lenta.
  • Dificuldades de linguagem.
  • Desorientação temporal e espacial.
  • Comprometimento das funções executivas e do julgamento.
  • Em casos menos frequentes, podem surgir apraxia (dificuldade para executar movimentos), agnosia (incapacidade de reconhecer objetos), alexia (dificuldade para leitura) e acalculia (dificuldade para cálculos).

Não Cognitivos

  • Alterações comportamentais, como apatia, agitação, agressividade ou irritabilidade.
  • Distúrbios do humor, incluindo depressão e ansiedade.
  • Outros sinais incluem incontinência urinária, insônia, mioclonia (espasmos musculares), alucinações, paranoia e, em casos avançados, mutismo.

Diagnóstico

O diagnóstico da DA é clínico e envolve:

  • Histórico médico e familiar completo.
  • Avaliação cognitiva com testes como o Mini Exame do Estado Mental (MMSE) ou o Montreal Cognitive Assessment (MOCA).
  • Exclusão de outras causas de demência por meio de exames laboratoriais de rotina, como hemograma, painel metabólico, TSH e vitamina B12.
  • Neuroimagem:
  • Tomografia computadorizada (TC): pode revelar atrofia cerebral e alargamento do terceiro ventrículo, embora esses achados não sejam específicos.
  • Ressonância magnética (RM): considerada superior à TC, frequentemente revela atrofia do córtex entorrinal e hipocampo, áreas críticas para a memória.

Tratamento

Ainda não há cura para a DA, mas existem opções terapêuticas que ajudam a aliviar os sintomas e desacelerar sua progressão:

  • Terapia farmacológica
  • Inibidores da colinesterase: como donepezila, rivastigmina e galantamina, que aumentam os níveis de acetilcolina no cérebro.
  • Antagonistas do receptor NMDA: como a memantina, utilizados para tratar casos moderados a graves.
  • O tratamento deve ser acompanhado por medidas de suporte, incluindo intervenções comportamentais e apoio aos cuidadores.

Prognóstico

A DA é uma doença de progressão contínua e, após o diagnóstico, a expectativa de vida geralmente varia entre 4 a 8 anos, podendo chegar a até 20 anos em alguns casos. Com a evolução da doença, complicações como dificuldade para deglutir e infecções (especialmente pneumonia) tornam-se as principais causas de morte.

Prevenção

Focar em fatores de risco modificáveis pode ajudar a reduzir o impacto da DA:

  • Educação: garantir acesso à educação desde cedo.
  • Saúde cardiovascular: monitorar e tratar condições como hipertensão e diabetes.
  • Higiene do sono: promover boas práticas de sono e tratar distúrbios como apneia.
  • Socialização: incentivar o engajamento social em idosos.
  • Proteção auditiva: prevenir perdas auditivas e fornecer aparelhos quando necessário.
  • Prevenção de lesões cerebrais: usar capacetes e prevenir quedas em idosos.
  • A adoção de medidas preventivas desde cedo pode ter um impacto significativo na redução do risco de demência e no aumento da qualidade de vida ao envelhecer.

Referências

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